7 de jan. de 2014

Garibaldo Echeverrya Del Mexico..


*Garibaldo Echeverrya Del Mexico...*... Capítulo 1

O Gari, como eu o chamava, apareceu na rua onde eu morava há uns seis anos... estava em petição de miséria... Todo machucado, cheio de buracos de mordidas pelo corpo, o rabo seccionado, o olho pendurado, um horror... (brigara com dois Pit Bulls). Tinha também, os tradicionais: anemia, bernes, pulgas e carrapatos... Ele não permitia que eu me aproximasse, mas parecia pedir socorro... Fui dando ração com remédios para ele... falando com carinho com ele... até que, três dias depois, ele permitiu que eu lhe fizesse o primeiro curativo... chamei então, o veterinário que cuidou dele até ficar bom... Como minha casa tinha um quintal pequeno, aluguei um galpão (de alvenaria) bem grande ao lado de minha Lan House e levamos ele e o Tutu para lá... Tive que comprar correntes bem grandes e grossas para separá-los, pois havia o risco de mais brigas... O Gari era bravíssimo com outros cachorros... Levou bastante tempo para curá-lo, mas ele queria porque queria voltar para as ruas... Deixei para ver o que acontecia... Ele saía, sumia e voltava para comer... Onde eu passasse de moto, às vezes à quilômetros de casa, lá vinha ele correndo atrás... Subia ladeiras enormes, mas nunca desistia de mim... Hoje sei... foi amor a primeira vista... Lembro-me que eu sempre dizia a ele, me referindo à antiga casa: - “Você ainda vai morar lá em cima... vai ser o meu cachorro...” e ele balançava o pitoco de rabo e, tenho certeza, sorria... Eu nunca havia visto o Gari de noite... até que certo dia, no inverno, com muita chuva, minha vizinha me disse: - Coitadinho do Garibaldo... fez um buraco na lama, embaixo de minha escada e mora lá... dorme todo molhado, com esse frio... Aquilo me partiu o coração... ele viera morar pertinho de mim... Corri lá e botei ele e o Tutu para dentro... Ficaram na minha área e, para minha surpresa, não brigaram... lembro-me bem de que fiz essa "toca" para ele e o cobri... Só eu e Deus sabemos a cara de satisfação e agradecimento com que ele me olhou... inesquecível... Desde então, o amor cresceu e cresceu e cresceu... 


Por que “Garibaldo Echeverrya Del Mexico”??? Capítulo 2

Quando recebemos o Gari, ele era um cão muito, muito bravo... e forte... Como não havia espaço em nossa casa, eu dava horas grátis em minha Lan House, para a garotada levar o Tutu, a Xuxa, a Mortandela e o Garibaldo para eles passearem... ninguém gostava de levá-lo... ele era briguento e “puxava” seu condutor... alguns eram, literalmente, arrastados pelo Gari... e, claro, ninguém queria levar ele... O Tutu era disputado... era grande, bonito e dócil... chamava a atenção... todos queriam levá-lo... Para tornar o Gari interessante, espalhei que estava em minha casa, um cachorro mexicano, herói revolucionário e exilado político... era um nobre que fugira do México por perseguição de gente muito, muito má... Nascia alí, “Don Garibaldo Echeverrya Del México II”... conhecido como Gari, o justiceiro... Não demorou para aparecerem candidatos a levar nosso herói para passear... Os garotos dessa época de ouro, hoje são adultos e adolescentes... e ainda perguntam dele... todos o adoravam... Com certeza vão rir ao lembrar de mim falando castelhano com ele e dele respondendo com forte sotaque mexicano, em português... (eu como ventríloquo...)... Até na hora de sua morte, ele falou assim comigo... – Papá... papá... Adiós Papá... No chores... Te amo, papá... (foram suas últimas palavras...)... Todos ficaram muito tristes quando souberam que o Gari se foi... Foi uma época muito feliz... para nós, para nossos peludos e para eles também... foram quatro anos de Lan House, com esses acontecimentos diários... Uma frase típica do Garibaldo: - Papá, papá... eles me levam a passear mas non querem que eu lato!!! Assí non dá... assí non dá...  




Quem leva quem a passear??? Capítulo 3


Na primeira noite que o Garibaldo dormiu em nossa área, improvisei uma “tóca” para ele... Uma mesa alta, cobertores pelo chão e um cobertor ou cortina fechando bem a entrada e pronto... ficava um refúgio acolhedor, reservado e quentinho... O Gari não gostava de se misturar com os outros... Hora de repouso era hora de repouso... se retirava e desaparecia por horas... Nada o tirava de sua tóca nem debaixo das cobertas... era friorento ao extremo... Talvez, por ter sofrido muito nas ruas com o frio... Ele adorava... curtia sua tóca... Quando a garotada subia as escadas para levá-los passear, os outros se agitavam... latiam.... faziam um escarcéu danado... o Gari não... eu tinha que abrir a cortina... chamá-lo... (às vezes cutucá-lo e ouvir rosnados de insatisfação...)... esperar uma imensa sessão de bocejos e espriguiçamentos do sacripantas, para então, finalmente, ele sair... Aí, se esticava todo e saia rebolando com o andarzinho de malandro dele... e ficava todo feliz... o pitoquinho que sobrou do seu rabo, balançava sem parar... O Gari adorava um menino chamado Erivelton... sei lá porque... só sei que quando via o tal menino, se animava todo... e ia dizendo com seu sotaque engraçado: - “Oba... oba... Eu também vou... eu também vou... eu também quero ir... me leve a passear... me leve a passear...” (e descia as escadas aos trambolhões, arrastando o Erivelton e empurrando quem estivesse em seu caminho... era o último a acordar e o primeiro a sair... rsss...)... ... Certo dia, quando os meninos chegaram, ele me sai com essa... – “Papá... papá... vou levar o Erivelton e a molecada a passear, ok???”... Aí, eu disse: - Como assim??? Não são eles que te levam??? E ele, com aquela carinha marota que só ele sabia fazer: - “No papá... no... Observe melhor quem leva quem... é só ver quem vai na frente!!!”... (e saiu arrastando o Erivelton...)... Ai meu Deus... que saudade imensa vc nos deixou, Garibaldo... te amei muito... te amo muito e vou te amar muito, muito, muito... sempre... e lembrei eternamente e com muito carinho desses momentos felizes que você me proporcionou...  

(Se quiserem acompanhar : https://www.facebook.com/abcg.tutucao)

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